Larissa Bombardi

Sobre a Larissa Bombardi

Larissa Bombardi

Pesquisadora e especialista na temática do uso de agrotóxicos

Larissa Bombardi é geógrafa, pesquisadora do Laboratório de Agroecologia da Universidade Livre de Bruxelas (ULB) no projeto Friction e professora licenciada do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo – USP.

Larissa é especialista no tema do uso de agrotóxicos há 14 anos, com dezenas de palestras, vários artigos publicados e mais de 100 entrevistas dadas sobre o tema, em meios de comunicação nacionais (Brasil) e internacionais, sendo uma das referências mundiais no assunto.

Ela é autora do livro “Agrotóxicos e Colonialismo Químico”, lançado em 2023 em português e publicado em Francês (Pesticides – Un colonialisme Chimique) em 2024.

Ela é, também, autora dos atlas: “Geografia do uso de agrotóxicos no Brasil e conexões com a União Europeia”, lançado em 2019 em sua edição em inglês na Europa (Escócia e Alemanha) e “Geografia das assimetrias: o círculo vicioso dos agrotóxicos e o colonialismo na relação comercial entre o Mercosul e a União Europeia”, lançado em 2021 no Parlamento Europeu.

Larissa é membro do Fórum Nacional de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos (Brasil), membro da diretoria da organização internacional “Justice Pesticide” e curadora da aliança Internacional IPSA (International Pesticides Standard Alliance).

Larissa Bombardi

A fundação acadêmica e o rigor geográfico

Larissa Bombardi é geógrafa e professora associada (atualmente licenciada) do Departamento de Geografia da Universidade de São Paulo (USP), onde mantém vínculo desde 2007. Sua especialização é o resultado de mais de 14 anos de pesquisa incansável, apoiada por três pós-doutorados em instituições de excelência, incluindo a Universidade de Strathclyde (Escócia) e a Universidade Livre de Bruxelas (Bélgica). Essa base acadêmica profunda e transnacional consolidou-a como uma das principais referências mundiais no estudo da toxicidade e dos agrotóxicos.

Colonialismo Químico

Seu trabalho mais influente é a tese do “Colonialismo Químico” — o conceito que denuncia como indústrias sediadas em países centrais vendem agrotóxicos proibidos em seus próprios territórios para o Sul Global, transferindo risco e toxicidade. Essa crítica geopolítica está detalhada em seus influentes Atlas (Geografia do Uso de Agrotóxicos no Brasil e Conexões com a União Europeia) e no livro Agrotóxicos e Colonialismo Químico. O lançamento dessas obras em fóruns internacionais, como o Parlamento Europeu, comprova o uso estratégico de sua ciência como ferramenta de pressão regulatória.

O custo de expor a verdade e o engajamento legal

Por conta de seu trabalho e das ameaças sofridas, Larissa Bombardi foi forçada a deixar o Brasil, conduzindo agora suas pesquisas na Europa, em um programa destinado a cientistas no exílio. Este exílio transformou a acadêmica em uma defensora dos direitos humanos. Atualmente, sediada na Bélgica, ela integra a diretoria da organização internacional Justice Pesticide e é curadora da IPSA (International Pesticides Standard Alliance). Sua pesquisa visa fornecer a evidência irrefutável para responsabilizar empresas globais, reforçando a luta por uma regulação internacional mais justa.

A tese central é o Colonialismo Químico, que denuncia a assimetria global: indústrias em países do Norte vendem agrotóxicos proibidos em seus próprios territórios para países do Sul Global, como o Brasil, transferindo o risco de toxicidade para sustentar as cadeias de commodities.

A exposição crônica está associada a intoxicações agudas, distúrbios neurológicos, problemas de saúde mental e a diferentes tipos de câncer, além de contaminar a água e os alimentos consumidos pela população — atingindo de forma desigual as comunidades mais vulneráveis.

O limite de glifosato permitido na água potável do Brasil chega a ser milhares de vezes maior do que o autorizado na União Europeia, evidenciando o quanto os parâmetros nacionais de segurança são mais permissivos.

A pesquisa aponta para a necessidade de uma regulação internacional mais justa, o fim da exportação de substâncias banidas, a transparência dos dados e o fortalecimento da agroecologia e da soberania alimentar como alternativa ao modelo atual.

A ciência, a ética e o exílio

Larissa Bombardi, geógrafa da USP, transformou seu rigor acadêmico em uma luta global. Sua tese sobre Colonialismo Químico — a transferência de agrotóxicos do Norte para o Sul — custou-lhe a permanência no Brasil, mas amplificou sua voz como a principal defensora da justiça socioambiental no cenário internacional.